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13 outubro, 2016

Era do Vapor e os 160 anos do comboio revisitados em imagem

Se vive em Lisboa ou no Porto e é um apaixonado pela ferrovia e por comboios de outros tempos, há eventos que não vai querer perder. Tome nota!



Na Estação de São Bento está patente até 23 de outubro a Exposição de Artes Plásticas "Lugares & Máquinas no Tempo".
Mais a sul, em Lisboa, o Instituto de História Contemporânea (FCSH/nova) recebe no dia 20 a conferência "Douro - Caminhos de Ferro e Terra (Identificação do território ferroviário pela fotografia)".


No âmbito da efeméride dos 160 anos do comboio em Portugal, a CP promove uma exposição de Artes Plásticas inspirada na temática.
A mostra "Lugares & Máquinas no Tempo" vai ter dois momentos distintos. O primeiro acontece na Estação ferroviária de Porto São Bento de 3 a 23 de outubro, das 10h30 às 19h30.
Num segundo momento, vai ser acolhida na Fundação Bienal de Cerveira onde ficará patente de 28 de outubro a 3 de dezembro.
Com curadoria de Jorge Velhote, inclui trabalhos de cerca de 30 artistas convidados, entre quadros a óleo, acrílico, aguarela, desenho e peças de barro alusivas aos comboios e estações ferroviárias.
Pode ver aqui o catálogo da exposição.


Já em Lisboa, o Instituto de História Contemporânea (IHC) promove no próximo dia 20, a partir das 18:00 horas, a conferência "Douro - Caminhos de Ferro e Terra (Identificação do território ferroviário pela fotografia)".
Duarte Belo (IHC) fará uma caracterização visual da Linha do Douro, com fotografias do património ferroviário captadas ao longo dos últimos 30 anos. A conferência, organizada no âmbito do projecto "Era do Vapor em Portugal", uma parceria deste instituto com a EDP, terá lugar no Auditório 002, da Torre A.

A protagonista - a Linha do Douro - começou a ser construída em 1875, seguindo-se a construção de um sistema integrado de vias ferroviárias que viria a permitir um acesso mais rápido a uma das regiões mais distantes da capital do reino. Eram a Linha do Tâmega, a Linha do Corgo, a Linha do Tua e a Linha do Sabor.
A via, entre a Régua e Lamego seria construída em todo o seu traçado, mas nunca terminada. Em 2008 é encerrado o troço entre o Cachão e a estação do Tua. Todas as outras vias - com a excepção da Linha do Douro, entre Campanhã e o Pocinho - já tinham sido encerradas. Era o fim de um ciclo; as consequências de uma política de transportes e acessibilidades que privilegiou o transporte rodoviário. A ferrovia dava lugar a caminhos de terra. É este período histórico que aqui pode revisitar.

10 outubro, 2016

Comboio em chamas no Marco de Canaveses

Um comboio da Linha do Douro que fazia a ligação Régua-Caíde incendiou-se, esta madrugada, e chegou em chamas à estação do Juncal, no Marco de Canaveses. As causas do acidente estão ainda a ser apuradas. Não há feridos a registar.


Foto: Jornal A Verdade

Eram cerca das 6.00 horas quando foi dado o alerta de incêndio no comboio que partiu da Régua às 5.11 horas. Pouco depois, os Bombeiros de Marco de Canaveses chegavam ao local, relata o jornal A Verdade.

O incêndio teve origem na zona mecânica da última carruagem e não há feridos a registar. Apesar de uma vidraça se ter partido com o calor, os bombeiros conseguiram evitar que o fogo alastrasse até ao interior da carruagem.
Os 50 passageiros que faziam esta viagem foram encaminhados para Caíde, mas certamente não terão "ganho para o susto".
Segundo indicou ao Porto Canal o Comandante dos Bombeiros, Sérgio Silva, o sobreaquecimento do veículo pode ter sido a causa.
O acidente obrigou à interrupção da via e a circulação na Linha do Douro só foi retomada duas horas depois.
Esta manhã, permanecia no local a composição afetada e o trabalho dos bombeiros estava ainda a decorrer. A equipa teve que retirar o combustível do comboio para depois remover todo o material em segurança.

No local, para além dos bombeiros, esteve ainda a GNR e responsáveis da Comboios de Portugal (CP).

O comboio acidentado é um dos 22 veículos que a CP alugou à RENFE por ainda não ter feito a eletrificação da Linha do Douro, revela ainda o JN.
Em 2010 a CP pagava à congénere espanhola cinco milhões de euro por ano pelo aluguer de 17 composições.
Entretanto, foram alugados mais cinco comboios, o que se mantém até hoje.

05 setembro, 2016

Autarcas do Douro unidos na defesa da Linha do Douro



Na última reunião da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), quarta-feira passada, os 19 autarcas da região tomaram uma posição unânime de defesa da Linha ferroviária que serve a região e que tem estado debaixo de fortes críticas, na sequência das dificuldades de gestão enfrentadas pela CP.

Francisco Lopes, presidente da CIM Douro (e também presidente da Câmara de Lamego), esclareceu que a CIM vai remeter uma exposição ao Governo, à administração da CP e à Infraestruturas de Portugal, "fazendo uma defesa intransigente da infraestrutura ferroviária da Linha do Douro e da qualidade de serviço".

Nas suas declarações, disse ainda o presidente da CIM Douro que os autarcas que se reuniram em Murça estão preocupados "com a desqualificação a que tem sido sujeita toda a Linha do Douro ao longo dos anos", desde a própria infra-estrutura, as estações e o material circulante, que tem sido reduzido. "Receamos muito que este desinvestimento conduza a Linha do Douro e o serviço ferroviário no Douro a um nível de desqaulificação tão grande que justifique medidas gravosas como as que já foram tomadas em outros pontos do território, inclusive no Douro, com o encerramento do Pocinho. E essa é uma situação absolutamente inaceitável para os autarcas da CIM".

Francisco Lopes salientou que a eletrificação da via é prioritária. "Entendemos que é altura de ser encarada já que, pela primeira vez, há fundos comunitários e uma prioridade de investimento na ferrovia em Portugal que nunca houve em quadros comunitários anteriores".

Lembramos que o Governo, no documento "Plano de Investimentos Ferroviários 2016-2020", conhecido como Ferrovia 2016-2020, previa a conclusão da eletrificação do troço Caíde-Marco para Dezembro 2016. Em 29 de Julho de 2015, numa sessão pública em Marco de Canavezes, o então secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, e o anterior presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Ramalho, apresentaram a obra, que teria um prazo de execução de 15 meses por forma a estar concluída em finais de 2016. A informação no próprio site da Infraestruturas de Portugal (IP) está muito atrasada. À data de escrita deste texto, 5 de Setembro de 2016, lê-se "Previsão da conclusão: agosto de 2016."

Já passado cerca de um ano da sessão pública em Marco de Canavezes e afinal havia problemas com os empreiteiros e não se estava nem perto de terminar a obra. Vinha no dia 4 de Julho Fernando Martins da IP dizer que poderia haver um de três cenarios. A "cedência de posição do empreiteiro para os subempreiteiros, o que tem que ver com o aval de todas as partes", a "cedência de crédito" ou então "avançar para uma resolução do contrato", o que implica "reajustar o projecto e lançar um novo concurso para terminar o que está em falta", situação que faz com que "a conclusão da obra seja muito mais tarde do que desejaríamos". Nessa altura, Fernando Martins mostrava-se optimista quanto a encontrar-se uma solução e a Infraestruturas de Portugal disse acreditar que "entre o final do primeiro trimestre e início do sengundo" do próximo ano, 2017, a obra poderia estar concluída.

Chegados aqui, continuamos a questionar a IP sobre como está esta obra e continuaremos a ser uma voz cooperante. Contem connosco.

02 setembro, 2016

Junta do Pinhão defende urgência da eletrificação da Linha do Douro


A Junta de Freguesia do Pinhão, Alijó, veio emitir um comunicado em que defende que a eletrificação da Linha do Douro "é urgente e prioritária". Diz a autarquia, "Não pode esta Junta de Freguesia ficar alheia ao rumo que esta discussão está a levar, centrando-a nos interesses comerciais dos operadores turísticos. A linha do Douro serve uma região com mais de 200 mil habitantes e representa a única forma de transporte ao longo do canal do Douro, registando nos últimos anos um crescimento relevante de passageiros".

A modernização da Linha do Douro permitiria, segundo a autarquia, "aumentar o número de comboios diários nos períodos de maior procura, reduzir os custos de exploração e conferir maior segurança à circulação". Afirma no comunicado que a "falta de um profundo investimento, quer ao nível da infraestrutura quer ao nível da operação por parte da CP, tem retardado a afirmação turística da região e contribui negativamente para a imagem do vale do Douro".

29 agosto, 2016

Menos 29 mil passageiros na Linha do Douro até final de Setembro

 
Passados anos de dificuldades de convívio, os operadores turísticos do Douro acabaram mesmo por prescindir do serviço da CP. Já em 2012 o empresário Mário Ferreira da Douro Azul se queixava da transportadora ferroviária. É revelador que passados estes anos o empresário tenha optado por comprar uma concessão em que irá explorar o seu próprio serviço ferroviário turístico quando há 4 anos tinha acabado com os cruzeiros diários, retirando de uma assentada milhares de passageiros à CP e queixando-se da incapacidade da CP de dar resposta aos picos de procura e afirmando que a imagem que a transportadora dava aos clientes era péssima.

Desta feita, é Matilde Costa, da Barcadouro que faz contas e afirma que os irá recorrer a 600 autocarros para o transporte de passageiros até o final de Setembro, o que corresponde a cerca de 29 mil passageiros que a CP irá perder.

A CP fez as suas próprias apostas no turismo do Douro e os empresários do sector e a empresa pública nunca conseguiram um entendimento que se traduzisse no melhoramento do serviço ferroviário. Em 2004, a transportadora ferroviária portuguesa investiu um milhão de euros para criar com algumas carruagens Schindler o Comboio do Vinho do Porto. Passados três anos, a composição foi encostada e encontra-se neste momento a degradar-se em Contimul, juntamente com outras composições, no que parece um cemitério ferroviário. Segundo o Público, o econoista Diogo Castro em 2014 afirmou que esta composição poderia ser recuperada com fundos comunitários, algo que a CP nunca fez.

24 agosto, 2016

Serviço da CP na Linha do Douro criticado em plena época turística

Foto de uma automotora 0609 na Estação do Pocinho em 2002. Passados 14 anos, continuam a circular automotoras, porque não houve electrificação e as composições são as mesmas.



Nos últimos dias, a CP tem enfrentado duras críticas dos que deveriam ser seus aliados naturais no aumento de tráfego de passageiros. Os operadores turísticos do Douro que têm trajectos de comboio como parte da sua oferta estão publicamente a dizer que não podem dar aos clientes o que a CP tem neste momento para oferecer aos passageiros. A Tomaz do Douro publicou o primeiro Comunicado, no dia 19, afirmando que no dia seguinte e até Outubro iria substituir por autocarros o transporte de comboio previsto nos seus programas. Em seguida os três operadores, a própria Tomaz do Douro, a Barcadouro e Rota Ouro emitiram um comunicado comum.

À imprensa, os operadores esclareciam: "Continua a haver ligações suprimidas em cima da hora, sobrelotação das carruagens, faltas de manutenção e avarias recorrentes do material circulante, falhas nos sistemas de ar condicionado, carruagens grafitadas (vidros incluídos) e o recurso reiterado a autocarros que fazem por via terrestre o percurso que milhares de turistas antecipadamente escolheram fazer por ferrovia”.

Agora a Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes (AETUR) juntou-se à pressão exercida sobre a CP. Numa carta enviada à administração da empresa ferroviária e tornada pública, tomam uma posição de desagrado e dizem "que se tem verificado nos últimos anos é um crescente desinvestimento, baixa de qualidade de transporte, desadequação de oferta às necessidades turísticas do vale do Douro, tornando o serviço inadequado e ostracizante".

Afirma a AETUR na carta enviada à CP que visto que a maior parte do turismo regional chega ao Douro a partir do grande Porto, "é indispensável garantir e melhorar as diferentes tipologias de mobilidade aos habitantes e aos turistas, cuja importância na economia regional e nacional é por demais reconhecida".

A CP respondeu em comunicado, reconhecendo as dificuldade em responder ao aumento da procura na linha do Douro "porque a capacidade não é limitada". Indica que o transporte de grupos na Linha do Douro (entre os quais se incluem os clientes dos cruzeiros), no primeiro semestre cresceu 40% em relação ao período homólogo de 2015 e que em Junho esse crescimento foi de 73%, ou mais 8.314 viagens realizadas.

Em Junho, a Comboios XXI andava a dar notícia, no seu Boletim, de comboios suprimidos sem aviso, horários que não se cumpriam, na Linha do Douro. Estas queixas que agora se escutam chegam à comunicação social e às redes sociais com mais eficácia e rapidez, devido à maior capacidade dos intervenientes. Mas lembramos que as queixas dos utentes já nos chegaram há algum tempo e repetem-se. É tempo de a CP procurar mudar a situação.

19 agosto, 2016

Túnel do Saião na Linha do Douro reparado em 2017


A obra de reparação do Túnel de Saião, ao km 169,232 da Linha do Douro (concelho de Vila Nova de Foz Côa) foi adjudicada à empresa Tecnasol FGE pelo valor de 159.920,64 euros e tem um prazo de execução de 150 dias de calendário.

É uma obra que faz parte do plano de manutenção da Infraestruturas de Portugal (IP)e que se mostrou necessário após inspecções efectuadas pela IP. O Túnel foi construído em 1987 e é um dos 23 túneis da Linha do Douro.  

A electrificação dos 14 km da Linha do Douro entre Caíde e Marco de Canavezes, essencial para o melhoramento da Linha do Douro, continua por concluir.

02 agosto, 2016

Electrificação Caíde-Marco atrasada um ano


Uma obra já adjudicada, por 6,4 milhões de euros, a electrificação dos 14 km da Linha do Douro entre Caíde e Marco de Canavezes continua por concluir. As dificuldades financeiras do consórcio espanhol Isolux-Corsan atrasaram ainda mais as obras que já começaram tarde e neste momento dos 90% que que se esperava apenas 20% estão finalizados.

Desde 2013 que há uma história longa de sucessivos atrasos e promessa de conclusão. O último anúncio, já com o novo governo, indicava que a conclusão seria ainda em 2016. Dois meses depois a IP admitia que a obra só estava realizada em 14%, sendo o atraso na calendarização de 228 dias. O trabalho de investigação deste historial é do jornal Público.



22 fevereiro, 2016

O Caminho de ferro impossível

"Documentário exibido a 2 de janeiro de 2016 na RTP2 intitulado "O caminho de ferro impossível" onde é apresentada a história da Linha do Douro e sua extensão em Espanha até Salamanca. Na parte final, é apresentado um grupo de entusiastas desta linha, que lutam pela sua reabertura: a associação Tod@via! Os The Brave Ones participaram também na sua produção."




15 outubro, 2011

Confirma-se o pior

Infelizmente confirma-se que o PET (o qual continua inacessível ao público) pede que se elimine parte da Linha do Oeste e do Alentejo, com os serviços rodoviários de compensação (acabando de vez com os transportes colectivos em muitos casos) e um dos comboios internacionais Lisboa-Madrid. 
É um grave erro estratégico erodir ainda mais o serviço no Oeste dado o potencial do trajecto e uma violação das promessas feitas que iam no sentido de reabilitar a Linha.Com este encerramento parcial e a continuidade de uma estratégia de cortes graduais e fatais para os serviços, estas linhas ficam mais próximas do seu fecho total e mais longe da possibilidade de alguma vez poderem atingir o seu potencial e passarem a contribuir para um melhor desempenho económico das empresas ferroviárias.
Governo vai desactivar parte da linha do Oeste e do Alentejo

Linhas ferroviárias do Oeste e Alentejo perdem serviço de passageiros 


Não vamos aceitar que se opere na ferrovia nacional um dos maiores retrocessos da sua história, com reduções que estão em total contradição com a tendência de crescimento do transporte ferroviário em todo o mundo.

11 outubro, 2011

"Manifesto pela Modernização da Linha do Douro"

Divulgamos aqui este documento, da iniciativa do Rotary Club da Régua, que pode ser consultado aqui.

Manifesto pela modernização do troço Marco-Pocinho e pela reabertura do troço Pocinho-Barca D’Alva, da Linha do Douro

“Os vinhedos e o comboio são parte integrante da riqueza turística do Alto Douro Vinhateiro e reflectem bem o árduo trabalho que foi necessário para os concretizar. Nesse sentido, imaginar o Vale do Douro sem o comboio é o mesmo que o imaginar sem o Vinho do Porto”

A Linha do Douro começou a ser construída em 1872 e ficou concluída em Dezembro de 1887, incluindo o troço entre Barca D’Alva e La Fuente de San Esteban, o que permitiu estabelecer uma ligação por Caminho-de-ferro entre Porto e Salamanca.

Na década de oitenta, fruto do estado de degradação e de tráfegos muito reduzidos, a ligação internacional foi suspensa, tendo encerrado ao tráfego ferroviário entre Barca D’Alva e La Fuente de San Esteban em 1 de Janeiro de 1985, e entre Pocinho e Barca D’Alva em 18 de Outubro de 1988.

Atendendo a que:

1. A Linha do Douro e o canal navegável do Rio Douro são as únicas vias de comunicação longitudinais da região;

2. A realização de cruzeiros turísticos está fortemente dependente da complementaridade do Caminho-de-ferro;

3. O troço Barca-D’Alva-La Fregeneda, inserido na ligação a Salamanca, inteiramente financiada com capitais portugueses, foi declarado Bem de Interesse Cultural com a categoria de Monumento e está a ser alvo de trabalhos de reabilitação para utilização de veículos ferroviários ligeiros pela Tod@via - Asociación de Frontera por una Vía Sostenible;

4. A Linha do Douro está inserida num eixo de elevado potencial turístico, na medida em que permite ligar o Porto, o Vale do Douro, as gravuras rupestres do Vale do Côa, Salamanca, Ávila e Madrid, locais aos quais foi atribuído pela UNESCO o designo de Património da Humanidade;

5. A crescente procura turística verificada na cidade do Porto e no Vale do Douro, decorrente dos voos low cost para o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e do aumento do Enoturismo;

6. A montante do Vale do Douro reside um mercado de enorme potencial turístico, nomeadamente nas cidades de Madrid, Valladolid e Salamanca, o que permite equilibrar o Douro entre dois pólos geradores de viagens de idêntica dimensão;

7. A futura ligação de alta velocidade Madrid-Salamanca irá permitir diminuir os tempos de viagem de toda a Espanha para aquela cidade;

8. O benefício que reside da possibilidade de existir uma ligação regular de transporte de passageiros entre Porto e Salamanca pelo Vale do Douro como factor dinamizador do fluxo turístico ao longo da região;

9. A não compatibilização da construção de um eixo rodoviário longitudinal com o desígnio de “Património Mundial”;

10.Atendendo a que o transporte de mercadorias via Porto de Aveiro é fortemente subsidiado pelo Estado, passando-se semanas em que não existem quaisquer circulações de comboios de mercadorias para o mesmo, e o volume de mercadorias movimentado através do Porto de Leixões é incomparavelmente superior, a ligação ferroviária mais curta para a Europa é pelo Vale do Douro, traduzindo-se em cerca de menos 110 km até à fronteira, do que pela linha da Beira Alta, o que, associado ao facto da circulação de composições de mercadorias só ser eficiente a velocidades inferiores a 120 km/h, torna a Linha do Douro numa alternativa muito mais económica do que o eixo Aveiro-Viseu-Salamanca, por já existir;

11.A A24 e o IP2 servirem essencialmente os eixos Vila Real/Régua/Lamego e Torre de Moncorvo/Vila Nova de Foz Côa, respectivamente, não estando sequer calendarizada a construção IC26 para a Régua.Tendo em consideração a necessidade de se potenciar o desenvolvimento turístico da região, o que contribuirá para o aumento da actividade económica do País e, consequentemente, para o equilíbrio da balança comercial, por via da captação de turismo estrangeiro e havendo a necessidade de um eixo ferroviário no norte para escoamento de mercadorias. Considerando ainda o consenso existente entre os 28 Municípios servidos por esta infra-estrutura centenária. Solicitam os Durienses, os Transmontanos e os Beirões a reabertura da ligação internacional da Linha do Douro por Barca D’Alva, bem como a modernização da mesma, entre Caíde e Pocinho, contemplando a electrificação, sinalização electrónica e tratamento de taludes, de forma a se reduzirem os tempos de viagem para 1h25 entre Porto e Régua, 2h40 entre Porto e Pocinho e 4h entre Porto e Salamanca, viagem que nos anos 70 demorava mais de 11h...

Peso da Régua, 27 de Setembro de 2011

ROTARY CLUB DA RÉGUA

05 abril, 2011

Horizontes: Uma estratégia ferroviária para o Norte

crónica de António Alves para o Semanário Grande Porto 01.04.2011

"A ferrovia é um instrumento essencial para estruturar esta realidade, razão pela qual é urgente que se avance para a formação de uma empresa regional constituída pelas câmaras directamente interessadas, onde estarão obrigatoriamente as da Área Metropolitana do Porto e a de Braga, que negoceie directamente com Bruxelas a construção do eixo ferroviário Porto – Aeroporto - Braga - Vigo.
A Comissão Europeia tem as verbas atribuídas a este projecto cativas até 2015.
Se o Grande Porto não tivesse tomado nas suas próprias mãos o projecto do Metro ainda hoje estaríamos a ouvir argumentos como o que nos dizia que o subsolo do Porto era demasiado rochoso e impossível de perfurar.

Uma outra necessidade é a criação de empresas regionais, públicas ou privadas, que, à imagem do que faz a espanhola FEVE (e muitas outras na Alemanha com assinalável sucesso), reactivem e procedam à exploração sustentável de toda a rede de serviços regionais de via larga e também das nossas excelentes vias estreitas (hoje tão ameaçadas), como é caso da deslumbrante Linha do Tua.
Mas para isso a Região deverá dispor da necessária e tão desejada autonomia política e governo próprio.

É também hora de deixar de avaliar a Linha do Douro apenas pelo seu enorme potencial turístico.
É inquestionável que o tem, mas o grande contributo para a “estruturação da Ibéria” será mesmo a sua reactivação para o transporte internacional de mercadorias e passageiros, abrindo o Atlântico ao grande porto seco de Salamanca e ao nó logístico de Valladolid.
O Douro poderá ser a porta atlântica de toda a Castela interior. Quando no século XIX a Linha do Douro foi construída não existia ainda aquela que hoje poderá constituir-se como a sua maior vantagem competitiva: a navegabilidade do Douro da foz até Barca d’Alva.

Uma plataforma intermodal fluvio-ferroviária no Douro superior colocaria o Atlântico a 150 Km de Salamanca, 220 Km de Valladolid e 350 Km de Madrid. As oportunidades que se abririam a Leixões, ao Porto e à Região do Douro seriam imensas. Um navio fluvio-marítimo pode transportar o equivalente a 100 camiões de 25 toneladas e a 11 composições ferroviárias de 11 vagões de 20 toneladas.
Haja pensamento estratégico e ambição.
Aproveitemos o que já existe. Nem sequer é necessário construir de novo."

17 junho, 2010

Linha do Douro à moda antiga

Linha do Douro à moda antiga revolta utentes

JN.pt

Projecto de electrificação está em vias de ser adiado, penalizando muitos passageiros

00h30m

António Orlando
Foram feitas expropriações, foram demolidas casas, até já foram abertas as propostas para a execução da obra, mas a electrificação da linha entre Caíde e o Marco, prometida há muitos anos, está em vias de não ser concretizada.Os passageiros estão revoltados.
O plano de investimentos da Refer está a ser “objecto de revisão” e, conforme admitiu a própria empresa, em resposta ao JN, só após a conclusão desse trabalho é que se ficará a saber se a electrificação daquele troço será mesmo para avançar.
Autarcas e população têm poucas esperanças e acreditam que, num contexto de crise, o projecto vai continuar congelado. Ainda que o serviço seja vital numa zona onde residem cerca de 120 mil pessoas.
Quem usa o comboio como meio de transporte está farto das velhas automotoras a gasóleo. São lentas e, volta e meia, avariam. Luís Teixeira, 26 anos, engenheiro mecânico nascido e criado em Rio de Galinhas, Marco de Canaveses, começa a “pensar duas vezes” se vale a pena continuar a passar pelo martírio do transbordo diário.
“No mínimo, perco uma hora por dia neste entra e sai do comboio. Enem sempre há ligações. Mais: por vezes, os comboios velhos avariam”, critica o passageiro. “Imagine o que não poderia fazer numa hora, cinco dias por semana...”, desabafa. Deixar a sua terra e ir morar para outro lado é uma hipótese que ganha cada vez mais força.
São muitos os passageiros que partilham o tormento de Luís Teixeira. A viagem entre o Marco e o Porto tem cerca de 50 quilómetros, mas obriga a transbordo em Caíde. Entre aquela freguesia de Lousada e o Marco (cerca de 16 quilómetros) a linha ainda não está electrificada. As viagens são feitas em velhas automotoras a gasóleo.
Carlos Monteiro já não acredita que a electrificação venha a ser executada. Mas, apesar de “achar mal”, atribui responsabilidades a todos, utentes incluídos. “Quando vemos fazer outras obras, que se calhar não são tão necessárias, e deixamos que isso aconteça... os culpados somos nós”, argumenta.
A própria economia local ressente-se da falta de um meio de transporte eficaz. Veja-se, por exemplo, o caso da Nanta. A empresa de rações do Marco de Canaveses adquiriu recentemente unidades em Mealhada e em Alverca e anseia pela electrificação da linha, para garantir um sistema de transporte em condições, retirando os camiões da estrada. Actualmente, a empresa tem a circular cerca de 50 pesados por dia.
A construção de uma plataforma logística para escoamento de produtos (empreendimento privado) e a criação de um terminal rodoviário (parceria público/privada entre a Câmara e uma transportadora), ambos projectos a nascer no Marco, também estão em risco por causa do adiamento da electrificação da linha.

Opresidente da Autarquia marcoense, Manuel Moreira, não tem dúvidas de que a electrificação da Linha do Douro vai marcar passo, uma vez que “a Refer já ultrapassou o plafond de endividamento para o ano em curso”.
Ofacto é que o grosso do investimento até já estará feito, uma vez que das 23 passagens-de-nível que existiam apenas faltará eliminar uma (Santo Isidoro, Marco) e as expropriações já foram pagas, algumas das quais envolvendo valores bastante avultados.
Enquanto a situação não se resolve, há quem prefira fazer de automóvel a viagem entre o Marco e Penafiel, apanhando ali o comboio para o Porto. Os 90 cêntimos de portagens são baratos ao pensar nas dores de cabeça que se poupam.
Ligação continua sem carris
A indignação entre os utentes da Linha do Douro transborda para os passageiros da Linha do Tâmega, ou melhor, da antiga Linha do Tâmega, que ficou sem carris na ligação entre Amarante e a Livração (Marco de Canaveses) em Março de 2009.
“Foi uma chapada que nos deram à falsa fé”, sentencia Adelaide Pinto, sentada num banco da estação da Livração, enquanto aguardava pelo autocarro que a iria levar de volta à freguesia de Vila Caiz (Amarante). O autocarro substituiu o comboio. E não há esperança de que o transporte ferroviário regresse. “Prometer, toda a gente promete. Agora cumprir... Nunca mais vamos ter comboio”, observou Adelaide Pinto, não poupando críticas ao Governo e às câmaras municipais.
A circulação na Linha do Tâmega foi proibida pelo Governo três dias depois da Câmara de Amarante ter celebrado os 100 anos da estrutura.