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03 setembro, 2017

Falta de entendimento entre IP e empreiteiro determina paragem nas obras entre Caíde e o Marco

Olhando para os últimos anos, parece não haver obra ferroviária que mais custe a fazer do que a electrificação de 16 km de linha entre Caíde de Rei e o Marco de Canaveses, na zona suburbana do Grande Porto. As obras estão novamente paradas e a empresa até agora responsável não vai ser a mesma que as vai concluir.

Em resposta às perguntas da Associação Comboios XXI, a Infraestruturas de Portugal (IP) informa que à empresa Isolux-Corsán cabe, agora, apenas “restabelecer as condições de segurança e de exploração” da linha, sendo que aquele consórcio espanhol não vai concluir a obra, como estava inicialmente previsto.

Afinal, o que aconteceu?

Em Novembro de 2016, a Isolux-Corsán apresentava “graves dificuldades financeiras”, pelo que a IP desenvolveu diligências para “assegurar a continuação da empreitada”. Assim, “os trabalhos de construção civil das estações e catenária [estrutura que suporta o fio eléctrico que alimenta os comboios] na via estão praticamente concluídos”.

Há poucas semanas, sem que ninguém tivesse previsto, surgiram problemas com dois túneis à saída de Caíde. O projecto, orçado em 6,4 milhões de euros, previa o seu “reforço estrutural e o rebaixamento da via” para que, dentro dos túneis, passasse a haver altura suficiente para instalar a catenária.

Durante essas obras, “tornou-se necessário aumentar significativamente os trabalhos a realizar pelo consórcio”. Porém, descobriu-se que os túneis, “com já cerca de 150 anos”, são constituídos “essencialmente por rocha, agravando muito as condições de realização dos trabalhos”, explica a gestora da infra-estrutura ferroviária portuguesa.

A IP conclui: “Não foi possível chegar a um acordo com o empreiteiro para a execução dos trabalhos não previstos”. A Isolux-Corsán sai de cena e outra empresa terá de concluir as obras.

A Infraestruturas de Portugal não explica por que razão o projecto desta empreitada não previa aqueles trabalhos nos túneis. Adianta a empresa que está em curso a contratação de uma nova empreitada.


O plano Ferrovia 2020 previa a conclusão desta electrificação entre Outubro e Dezembro de 2016. No entanto, não será sequer em 2017 que os comboios suburbanos do Porto poderão chegar ao Marco, continuando a ser necessário o transbordo para comboios a diesel em Caíde.


IP pondera encerrar o troço para maior rapidez nas obras

Está em cima da mesa a hipótese de encerrar os 16 km entre Caíde e o Marco, procedendo-se a transbordo rodoviário. Quem o diz é Manuel Moreira, presidente da câmara municipal de Marco de Canaveses, que apresentou essa solução à empresa pública.


Nem a IP nem o autarca souberam dizer prazos, mas, na melhor das hipóteses, as obras só regressarão em inícios de 2018.

Comboio espanhol a diesel da série 592, que actualmente assegura as ligações entre Caíde e o Marco

Electrificação Nine-Viana concluída a 24 de Julho de 2018

A garantia foi dada por Miguel Côrte-Real, da Mota-Engil, empresa responsável pelas obras na Linha do Minho. Na sessão pública de esclarecimento, que teve lugar a 13 de Julho passado em Vila Nova de Famalicão, Miguel Côrte-Real sublinhou a “ligação forte” que a região Norte tem à ferrovia, sem esquecer a “importância” do troço Vigo-Porto-Lisboa. O responsável aponta o reforço da mobilidade, a capacidade para composições de mercadorias até 750 m e a redução dos tempos de percurso como as principais vantagens da electrificação daqueles 44 km.
Antóno Mota, engenheiro da IP responsável pela coordenação da obra, abordou a dimensão técnica da obra, como as subestações de tracção e a passagem de apeadeiros a estações, para permitir o cruzamento de comboios.

“Está em perspectiva estender os urbanos do Porto até Barcelos”
Na sessão de esclarecimento esteve também presente Fernando Moreira, director do serviço de comboios urbanos do Porto. Elogiou aquele serviço de urbanos, considerando mesmo ser “um dos melhores serviços ferroviários do país”. Questionado sobre a abrangência dos urbanos do Porto no pós-electrificação, o responsável disse que “está em perspectiva os urbanos do Porto serem estendidos até Barcelos”.

“CP precisa de novos comboios”

Um dos aspectos frisados por Fernando Moreira na sessão pública foi a necessidade da CP adquirir novos comboios. A empresa pública não o faz há quase 15 anos, estando hoje a utilizar muitos comboios a diesel (alguns alugados a Espanha), que são “um pesadelo logístico”.





CP já pensa em Intercidades e Alfa até Viana
Questionado pela Comboios XXI sobre a hipótese dos serviços de longo curso da CP irem até Viana do Castelo, Fernando Moreira disse que essa é uma hipótese em cima da mesa. Após a electrificação será possível fazer o percurso Porto-Valença em cerca de 1h40, menos 30 minutos do que actualmente.

A Associação Comboios XXI saúda vivamente o cumprimento dos prazos e acompanhará o desenrolar das obras.

24 agosto, 2017

Electrificação do troço Caíde-Marco novamente suspensa

As obras de electrificação do troço ferroviário entre Caíde de Rei e Marco de Canaveses estão novamente paradas. A empresa Isolux-Corsán não vai concluir a obra, como estava inicialmente previsto. Em causa estarão as condições financeiras daquela empresa espanhola.

Ao que tudo indica, será assegurada uma nova empreitada para a continuação e a conclusão da electrificação daqueles 16 km.

Há muito tempo que as dificuldades com esta obra são conhecidas, mas, segundo fontes ouvidas pela Associação Comboios XXI, é certo que a obra não vai ficar parada. Ao que tudo indica, outro construtor assumirá a obra como ela está neste momento e irá terminá-la.

Desde 2014 que as obras estão em "pára-arranca", como relatou o jornal Público há um ano.

Há alguns dias, a CP repôs a normal circulação do comboio regional 4151, entre Caíde e Marco de Canaveses. Esse comboio era suprimido para permitir que as obras decorressem com normalidade.

A Associação Comboios XXI contactou a empresa Isolux-Corsán, mas não obteve resposta. Estamos também em contacto com a Câmara Municipal de Marco de Canaveses e outras entidades locais.

Vemos com muita apreensão esta notícia, que vai provocar um atraso ainda maior naquela obra. É urgente que os comboios urbanos - eléctricos - do Porto cheguem a Marco de Canaveses, servindo aquela população de forma muito mais eficiente, pondo fim ao transbordo em Caíde e libertando comboios a gasóleo para outros trajectos.

Vamos, muito em breve, apresentar novos detalhes sobre este assunto.

Antero Pires

08 julho, 2017

Sessão Pública em Famalicão

Convidamos todos os associados e simpatizantes da Associação Comboios XXI a estarem presentes na Sessão Pública de esclarecimento sobre a "Eletrificação do troço ferroviário Nine-Viana". Esta sessão está agendada para as 17h30 do próximo dia 13 no Museu Bernardino Machado, em Famalicão.


10 junho, 2017

Procura-se colaborador(a)

A Associação Comboios XXI está à procura de um(a) colaborador(a) com conhecimentos na área do jornalismo/comunicação social, bem como na utilização de programas de composição e paginação de texto.

Funções a desempenhar: redação dos textos boletim da Associação Comboios XXI; composição gráfica do boletim; trabalho de secretariado; gestão do site e das redes sociais da Associação.

Envie-nos o seu CV para o email comboiosxxi@gmail.com

06 abril, 2017

Jornal de Notícias

Na última terça-feira António Cândido de Oliveira, presidente da Associação Comboios XXI, foi entrevistado pelo Jornal de Notícias. O motivo foi o descarrilamento na Linha do Norte.


31 outubro, 2016

CP: Presidente desvaloriza desinvestimentos


Manuel Queiró afirma que o transporte de passageiros é o negócio principal da ferroviária nacional e desvaloriza algumas das questões que mais polémica têm causado.



De Lisboa para Sul quase não
existe Serviço Regional/ Urbano.
 Litoral algarvio é excepção.
Entrevistado pelo Jornal de Notícias, o Presidente da CP, Manuel Queiró falou do encerramento de várias linhas, da Linha do Douro, da solução encontrada para a CP Carga e da sustentabilidade da empresa.

Em relação às negociações que estão a decorrer operadores turísticos do Douro, garante que "está para breve o anúncio de uma solução para as necessidades dos operadores turísticos do Douro e para a política de inovação da CP". O administrador prometeu que serão anunciadas novidades "ainda este ano", fruto do esforço "para aumentar a disponibilidade na linha do Douro".
"Para o ano a notícia não serão problemas, mas o aumento significativo da utilização combinada dos barcos e dos comboios", garantiu à mesma fonte.

Quando a questão é o encerramento de linhas, o Presidente da CP não hesita: "Uma rede ferroviária alargada a todo o território é uma obrigação do Estado, é necessária para uma mobilidade sustentável. Fui contrário ao encerramento de linhas". E exemplifica: "A CP trabalhou nesse sentido nas linhas do Oeste e do Vouga, que não vão fechar".

Já em relação à privatização da CP Carga, Manuel Queiró desdramatiza: "O transporte de mercadorias foi liberalizado há 20 anos na Europa. Faltava Portugal". Escusa comentar decisões do Governo e afirma: "O nosso core é o transporte de passageiros".

Quando o tema é a sustentabilidade da empresa, o Presidente relativiza: "O importante é o peso dos proveitos próprios no orçamento e sair do perímetro de consolidação da dívida pública para recuperar autonomia de gestão, em 2018, ou pouco depois. Este ano, a dívida histórica deve rondar os 3 mil milhões de euros".

"Novo" Alfa vai circular em 2017


Como já tinhamos dado conta, o Alfa Pendular está a ser remodelado pela EMEF, empresa do grupo da CP. Depois de revista a parte mecânica, chega a vez do exterior e do habitáculo do comboio ganharem uma cara nova.




O primeiro Alfa remodelado deve sair das instalações do Entroncamento ainda em 2017, revelou o Presidente da CP ao Jornal de Notícias.

Depois de renovada toda a parte mecânica, chegou a vez do exterior e do habitáculo. O Alfa Pendular vai deixar de ser branco, vermelho e azul e adoptar o cinzento e o verde como cores identificativas, ganhando ainda um interior totalmente renovado.

Publicamente "vai ser percepcionado como um novo Alfa" que "em boa medida" é, revela Manuel Queiró. Durante os próximos três anos serão remodelados os 10 Alfas de que a CP, dispõe actualmente. Uma "operação indispensável, mas arriscada", pois "implica ter um no estaleiro, quando dez já não chegam", explica o gestor.
"Estamos mais próximos do limite e por isso é estratégico para a CP conseguir (...) meios alternativos, para suprir alguma falha. O programa de curto prazo de aumento de comboios é vital também por causa disso".
O investimento também é considerável. As intervenções em cada um vão custar 1,8 milhões de euros.

Electrificação da Linha do Minho divide Portugal e Espanha


O Presidente da CP espera que os espanhóis adoptem a mesma tensão que Portugal. Caso contrário, Portugal terá que arranjar comboios bitensão, iguais aos que o país vizinho já tem.




Na entrevista concedida ao Jornal de Notícias este domingo, Manuel Queiró revela-se satisfeito com o avançar da electrificação da Linha do Minho, mas diz esperar que os espanhóis optem por usar a mesma tensão que Portugal. Se não, a CP terá de arranjar comboios semelhantes aos que Espanha já tem. "Os espanhóis continuam com uma tensão diferente da portuguesa entre Vigo e a fronteira. Implicará um inconveniente para o lado português, porque os espanhóis têm comboios de bitensão e Portugal ainda não".

Questionado sobre se a CP dispõe de comboios capazes de entrar no território espanhol, o administrador garante que "ainda é cedo". "Não basta a electrificação do lado português, é preciso assegurar que se electrifica o lado espanhol, o que não está sequer programado. Nessa altura, esperamos já ter o reforço da frota de longo curso".
Alugar material circulante bitensão é uma hipótese: "Já temos material alugado aos espanhóis, pode ser que nessa altura se volte a alugar material de bitensão. Mas preferimos que as electrificações que Espanha planeia até à fronteira se ajustem à tensão usada em Portugal", declarou.

Igualmente vital é duplicar a via da linha: "É uma linha de via única (...) é preciso aumentar os locais de cruzamento, com duplicação de via".

Em relação à capacidade de o Celta se tornar um serviço rentável, o Presidente da CP não se compromete: "O ponto essencial neste comboio não é apenas a rentabilidade. Para o Noroeste é um comboio simbólico, de natureza política", assevera. Cifra o prejuízo do serviço nalgumas "centenas de milhares de euros", mas "garante que os números da exploração melhoraram".



Manuel Queiró analisa desafios da CP

Entrevistado este domingo pelo Jornal de Notícias, o presidente da CP faz um retrato do estado das principais questões que a empresa tem de resolver.




Reforçar a frota de comboios, terminar a electrificação das linhas estabelecidas, assegurar a linha do Douro e melhorar o serviço Alfa são alguns exemplos.
Assegurado que está "o financiamento europeu em linhas ferroviárias" é chegado "o tempo de investir nos comboios que lá circularão”, assegura o Presidente da Comboios de Portugal (CP), Manuel Queiró.
Com base no "equilíbrio das contas previsto para este ano, no aumento do número de passageiros e na paz laboral" revela-se apostado em "desafiar as forças politicas para uma estratégia ferroviária nacional". Seria "um absurdo investir milhares de milhões em infraestrutura ferroviária que seria desaproveitada sem mais e melhores comboios", declarou ao JN.

Comboios não chegam para as encomendas


Responder "ao crescimento acentuado da procura" é outra preocupação do homem-forte da CP. "Já temos comboios lotados e passageiros que não conseguem fazer a viagem que queriam". Segundo afirma espera "conseguir um crescimento atempado do material circulante. No curto prazo, o Governo e a CP já estão de acordo quanto à recuperação de material de reserva da EMEF. Há uma programação feita e uma execução a longo de 2017. Falamos de milhões de euros". Já no médio prazo, e falando de novos comboios, Manuel Queiró esclarece que não há acordo fechado com o Governo, mas diz que "a CP vai continuar a pressionar pela expansão da frota".

Na mesma entrevista, quando questionado acerca do número de comboios necessários para dar resposta à procura, não avança com um número concreto. Considera prioritário duplicar a frota de Alfas - uma preocupação justificada pelo facto de os Alfa e Intercidades serem "o serviço mais rentável da CP, responsável pela sustentabilidade financeira da empresa" - e revela que "o Governo vai cumprir um programa realista e efectivo de investimento". Falta contudo apoio para "o resto do longo curso e para os comboios de gama média", que "também têm de ser contemplados", alerta.


CP não investe em comboios novos há 12 anos

 

Foto: Gil Lemos
O Presidente da CP admite que a última vez que foi comprado um comboio novo foi há 12 anos, mas desvaloriza a questão: "o essencial é ter comboios em condições de segurança e conforto" e "Portugal tem um excelente conjunto de comboios".
Mais urgente são todos os projectos relacionados com a electrificação de linhas. "A tração eléctrica está a avançar no Minho e contamos com o mesmo no Algarve e Oeste". Questionado sobre se o plano de investimento governamental para a ferrovia serve os interesses da empresa, garante que "quer intervir de forma mais próxima na calendarização" e que os timings "não sendo óptimos, são satisfatórios".
 Manuel Queiró reforça a ideia de que "é altura de começar a planear o aumento da frota". Apesar de não se correr o risco de não haver comboios para as linhas renovadas, explica: "temos comboios rápidos cujo potencial não é aproveitado porque não temos linhas adequadas".
Já quanto à anunciada "paz laboral", revela que "as relações entre a gestão e os trabalhadores estão numa boa fase" e que espera que o dossier da contratação colectiva fique fechado "até ao final de 2017".

26 outubro, 2016

Renovação dos comboios é urgente, alerta Presidente da CP

Manuel Queiró alerta para a urgência de investir na renovação dos comboios que considera "um acto obrigatório de gestão pública".


No colóquio 160 anos do Caminho-de-Ferro em Portugal, a decorrer esta terça-feira na Assembleia da República, o presidente da CP - Comboios de Portugal alertou para a urgência de investimento na renovação da frota.
Manuel Queiró classifica-o como "um acto obrigatório de gestão pública" e lembra que tal não acontece "há uma dúzia de anos.

"Não podemos parar no tempo. Temos uma procura a pressionar a nossa oferta", reforçou, frisando que "há retornos que estão à espera".
O gestor assegura que o que a CP faz todos os dias com o material que tem é "um milagre", realçando o papel da Empresa de Manutenção de Material Ferroviário (EMEF), cujo futuro "é preciso assegurar".

Na sua intervenção, o presidente da CP recorreu à "experiência do passado, com os comboios Alfa Pendular" para mostrar que "esse investimento tem um retorno grande",  não devendo por isso subsistir "razões para hesitação no investimento na frota".

Segundo números apresentados, a CP deve chegar ao final de 2016 com cerca de 114 milhões de passageiros transportados, mais 7% do que em 2015, o que corresponde a um aumento de 12% nos rendimentos de tráfego, totalizando 230 milhões de euros.
Manuel Queiró lembrou ainda que "a CP não actualiza preços há vários anos", sendo o aumento das receitas resultado do aumento da procura nos comboios de longo curso.

20 outubro, 2016

Douro Azul garante transporte público no Vale do Tua

O futuro transporte de passageiros no Vale do Tua fica a cargo da Douro Azul, mas a empresa só assume metade do actual prejuízo com o serviço. Em causa estão a navegação turística na albufeira e a gestão da linha de caminho-de-ferro.

 

 


Foto: Nuno Mourão
Já se sabia que a empresa Transportes Turísticos do Vale do Tua ia assumir a mobilidade turística na região do vale. O contrato já assinado entre a empresa e a Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua (ADRVT) - que reúne a EDP e as câmaras de Alijó, Carrazeda, Murça, Vila Flor e Mirandela - foi a solução encontrada para assegurar o plano de mobilidade para o vale e umas das contrapartidas exigidas pela construção da Barragem do Tua.

Agora, Mário Ferreira, dono da Douro Azul e da Mystic River, compromete-se também a garantir o transporte quotidiano de passageiros, que actualmente rende à CP um prejuízo anual de cerca de 100 mil euros.
Segundo revela o Jornal de Notícias, o serviço (três viagens para cada lado, sobretudo entre o Cachão/Mirandela e Foz-Tua) serve uma média de 15 pessoas por mês.

Em declarações ao diário, o empresário sublinha que não tem "obrigação de o fazer" - já que a sua área de negócio é o turismo - e revela as condições impostas. Garante fazer as três viagens para cada lado, desde que lhe seja entregue o material circulante para ser requalificado, e que os prejuízos de exploração não ultrapassem os 50 mil euros anuais.
Os pormenores deste negócio ainda estão a ser discutidos, mas fonte da ADRVT garante que as partes já chegaram a acordo em relação ao serviço actualmente prestado.

O que está mesmo garantido é que, a partir da próxima Primavera, Mário Ferreira vai assegurar a exploração turística do vale, o que inclui o transporte dos turistas de autocarro desde a estação de Foz-Tua até ao cais da barragem; a viagem de barco até à Brunheda (Carrazeda), seguindo até Mirandela num comboio histórico.

Pôr este plano em marcha vai custar cerca de 16 milhões de euros, 11 milhões dos quais saem dos cofres da EDP. Mário Ferreira avança com os restantes "cinco milhões", na expectativa de que os 25 anos da concessão corram bem, mas a contar com algum "prejuízo nos primeiros quatro ou cinco anos".
Não tendo aparecido outros interessados no concurso público, a Transportes Turísticos do Vale do Tua fica assim com o monopólio da exploração das infraestruturas: linha ferroviária, os cais e as fluvinas e os meios de transporte.

19 outubro, 2016

CP lança venda de bilhetes pelo telemóvel

A nova aplicação permite pesquisar e comprar viagens nos comboios Alfa Pendular e Intercidades, sem passar pela bilheteira.




A CP, Comboios de Portugal, já tem disponível a compra de bilhetes para comboios Alfa Pendular e Intercidades através do telemóvel.
A aplicação móvel agora lançada permite planear e comprar viagens, bem como os complementos destas viagens nos serviços Regionais.

A ferramenta possibilita a compra de vários bilhetes em simultâneo, bem como a escolha de lugar, havendo ainda a capacidade de pesquisa de comboios pela estação mais próxima, através de georreferenciação.

Ao instalar a aplicação no seu telefone passa a poder também consultar todos os horários dos comboios da CP, e receber alertas e informações sobre a oferta de serviços da empresa.
A campanha de divulgação já teve início sob o slogan "Bilhetes à distância de um clique", tendo a empresa incluído um "manual de instruções" num vídeo já disponibilizado (que pode espreitar aqui).


17 outubro, 2016

Previsto investimento de €2,7 mil milhões na ferrovia até 2020





O Plano Ferrovia 2020 prevê 214 kms de novas linhas e a reabilitação de 900 kms das existentes. O troço Covilhã-Guarda; o transfronteiriço (corredor internacional sul); o percurso Ovar-Gaia e os trabalhos de eletrificação na Linha do Minho são os principais visados.




Plano Ferrovia 2020, com "uma forte componente de cofinanciamento europeu", prevê a construção de 214 quilómetros de novas linhas e a modernização de 900 quilómetros das existentes, noticia o Expresso.

Assim, o Orçamento do Estado para 2017 prevê um investimento global de 2,7 mil milhões de euros, que será aplicado em obras no troço Covilhã-Guarda (corredor internacional norte); no troço transfronteiriço (corredor internacional sul); na Linha do Norte (Ovar – Gaia) e nos trabalhos de eletrificação na Linha do Minho.

"Estes investimentos incluirão ainda o arranque da instalação do sistema europeu de gestão de tráfego ferroviário, o aumento do comprimento de cruzamento dos comboios para 750m e a preparação da migração para a bitola standard", pode ainda ler-se no relatório do Orçamento, revela o semanário.

Estes projetos ferroviários serão fortemente suportados pelo "cofinanciamento europeu, através do Portugal 2020 ou de outros mecanismos e instrumentos europeus, tal como o Mecanismo Interligar a Europa", acrescenta o relatório.

14 outubro, 2016

Modernização da Linha do Minho com verbas repartidas até 2018


As obras de electrificação da Linha do Minho já têm verbas garantidas, mas serão escalonadas anualmente. Em 2016 não podem exceder os 1,8 milhões de euros.



A decisão governamental ganha forma através da portaria publicada em Diário da República, em vigor desde quarta-feira. 

As secretarias de Estado do Orçamento e das Infraestruturas autorizaram a repartição anual, até 2018, dos custos das obras de modernização e eletrificação da Linha do Minho, estimada em mais de 3,7 milhões de euros. 

De acordo com a portaria publicada em Diário da República, a Infraestruturas de Portugal (IP) fica autorizada a "reescalonar" os "encargos orçamentais decorrentes da execução do contrato", não podendo exceder, "em 2016 os mais de 1,8 milhões de euros; em 2017 cerca de 1,5 milhões de euros e, em 2018, mais de 337 mil euros". 

Em causa está a empreitada do troço Nine – Valença da Linha do Minho cujo "início ainda não ocorreu e em que o prazo de execução abrange os anos de 2016 a 2018".

Em Agosto, o Prof. Dr. António Cândido de Oliveira, da Direcção da Associação Comboios XXI, esclarecia assim a sua posição e a importância de todos os cidadãos se envolverem no processo.
Comboios históricos ganham revista em papel

Chama-se "Trainspotter" a revista que nasceu na web por iniciativa da equipa do Portugal Ferroviário. Em Outubro ganhou uma versão impressa, cuja compra está à distância de um clique.


Depois de seis anos a publicar a versão online da "Trainspotter", de forma gratuita, esta equipa decidiu arriscar uma edição em papel, monotemática e numerada, com artigos mais aprofundados.

Segundo nos revelou João Cunha, a ideia é "assegurar entre 3 a 4 edições anuais, normalmente monotemáticas".

O número 1 da publicação é sobre o comboio presidencial. Conta com 60 páginas a cores, a colaboração de mais de dez autores, e vem numerado.
Desvendar a história da luxuosa "composição que serviu a Presidentes da República e acabou partida e dividida pelo país, antes de ser recuperada" é o foco desta edição.
"Pertença do acervo do Museu Nacional Ferroviário e recuperado através de um projeto que reuniu Museu Nacional Ferroviário e EMEF com fundos europeus da região Centro", o Comboio Presidencial é hoje "a memória viva dos mais selectos e especiais veículos ferroviários portugueses, sendo uma das pérolas da colecção em exposição no interior do Museu, no Entroncamento", pode ler-se ainda no Portugal Ferroviário.

À semelhança do que sucederá com os números seguintes, esta edição está à venda no site da APAC, que fica integralmente com as receitas para aplicar em projetos de preservação ferroviária.
Apesar de estar prevista a impressão de mais exemplares do que os reservados, aconselha-se o leitor a aderir à pré-venda online. Não só a disponibilidade da revista fica assegurada, como consegue um preço especial. O nº1 já não se encontra em pré-venda - custa agora €15 - mas a segunda edição já pode ser reservada, pelo preço de €9,50.
Prevê-se que dê à estampa em Dezembro e será sobre as locomotivas da série 1960 da CP.

Consciente de que tem como público-alvo um nicho de mercado, a equipa da "Trainspotter" tenta assim atrair coleccionistas e outros apaixonados pelos caminhos de ferro portugueses.
O comboio e o seu passado ganha assim mais expressividade na imprensa portuguesa. Pena é que não possamos dizer o mesmo dos problemas que a ferrovia enfrenta na atualidade.

Transportes públicos: 50% do IVA dos passes vai ser descontado no IRS




Foto: Tiago Miranda

 

Deduzir as despesas com transportes públicos no IRS vai ser possível no próximo ano. A má notícia é que é só o correspondente a 50% do IVA pago nos passes mensais.

 

 

Segundo informação recolhida pelo Observador, a despesa com passes mensais nos transportes públicos deve passar a ser deduzida no IRS, já a partir do próximo ano.
No entanto, o desconto abrange apenas 50% do IVA pago, que no sector é aplicado à taxa reduzida de 6 por cento.

A medida prevista na proposta de Orçamento do Estado 2017, aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros, deixa igualmente de fora os títulos de transporte.

A dedução é válida para todos os membros do agregado familiar e aplica-se desde que a despesa conste das faturas comunicadas à Autoridade Tributária.

A comissão que, em 2014, propôs a reforma para a fiscalidade verde queria que metade dos gastos com a compra de passes fosse deduzido no IRS, até ao limite de 250 euros.

13 outubro, 2016

Era do Vapor e os 160 anos do comboio revisitados em imagem

Se vive em Lisboa ou no Porto e é um apaixonado pela ferrovia e por comboios de outros tempos, há eventos que não vai querer perder. Tome nota!



Na Estação de São Bento está patente até 23 de outubro a Exposição de Artes Plásticas "Lugares & Máquinas no Tempo".
Mais a sul, em Lisboa, o Instituto de História Contemporânea (FCSH/nova) recebe no dia 20 a conferência "Douro - Caminhos de Ferro e Terra (Identificação do território ferroviário pela fotografia)".


No âmbito da efeméride dos 160 anos do comboio em Portugal, a CP promove uma exposição de Artes Plásticas inspirada na temática.
A mostra "Lugares & Máquinas no Tempo" vai ter dois momentos distintos. O primeiro acontece na Estação ferroviária de Porto São Bento de 3 a 23 de outubro, das 10h30 às 19h30.
Num segundo momento, vai ser acolhida na Fundação Bienal de Cerveira onde ficará patente de 28 de outubro a 3 de dezembro.
Com curadoria de Jorge Velhote, inclui trabalhos de cerca de 30 artistas convidados, entre quadros a óleo, acrílico, aguarela, desenho e peças de barro alusivas aos comboios e estações ferroviárias.
Pode ver aqui o catálogo da exposição.


Já em Lisboa, o Instituto de História Contemporânea (IHC) promove no próximo dia 20, a partir das 18:00 horas, a conferência "Douro - Caminhos de Ferro e Terra (Identificação do território ferroviário pela fotografia)".
Duarte Belo (IHC) fará uma caracterização visual da Linha do Douro, com fotografias do património ferroviário captadas ao longo dos últimos 30 anos. A conferência, organizada no âmbito do projecto "Era do Vapor em Portugal", uma parceria deste instituto com a EDP, terá lugar no Auditório 002, da Torre A.

A protagonista - a Linha do Douro - começou a ser construída em 1875, seguindo-se a construção de um sistema integrado de vias ferroviárias que viria a permitir um acesso mais rápido a uma das regiões mais distantes da capital do reino. Eram a Linha do Tâmega, a Linha do Corgo, a Linha do Tua e a Linha do Sabor.
A via, entre a Régua e Lamego seria construída em todo o seu traçado, mas nunca terminada. Em 2008 é encerrado o troço entre o Cachão e a estação do Tua. Todas as outras vias - com a excepção da Linha do Douro, entre Campanhã e o Pocinho - já tinham sido encerradas. Era o fim de um ciclo; as consequências de uma política de transportes e acessibilidades que privilegiou o transporte rodoviário. A ferrovia dava lugar a caminhos de terra. É este período histórico que aqui pode revisitar.

11 outubro, 2016

Comboios Porto-Vigo ganham sistema de travagem automática

Depois do acidente que há um mês fez 4 mortos, CP e RENFE adoptam tecnologia que o teria impedido. A congénere espanhola já queria substituir o sistema antes.


Foto: Vigo al minuto

A composição que há um mês descarrilou em O Porriño, na Galiza, dispunha de um sistema analógico de travagem, como metade das automotoras desta linha. Desde segunda-feira, todos os comboios que fazem a ligação entre as cidades do Porto e Vigo passam a estar equipados com um sistema automático de travagem, que se sobrepõe à acção do maquinista.Com o ASFA Digital (Anúncio de Sinais e Freio Automático) - assim se chama o sistema, até aqui adoptado apenas em Espanha - "o maquinista não só tem de dar conhecimento que interpretou a informação relativa aos sinais de limitação de velocidade que lhe aparecem na via, como é obrigado a cumpri-los", noticia o Público. Em caso de excesso de velocidade o equipamento actua automaticamente, imobilizando o comboio.

Um sistema deste tipo teria evitado o acidente com o comboio Celta que causou a morte a quatro pessoas, entre as quais o maquinista português. O ASFA digital não deixaria que este se aproximasse da estação em excesso de velocidade. Recorde-se que a composição passou as agulhas da linha principal para uma linha alternativa a 118 Km, numa zona onde não podia exceder os 30 Km./hora.

A automotora que no dia 9 de Setembro fazia o serviço do primeiro Celta da manhã entre Porto e Vigo estava equipada com o ASFA analógico, um sistema mais antigo que depende do maquinista para travar a marcha do comboio, tal como metade das que fazem este trajecto.

A decisão foi tomada pela CP que explora este serviço em parceria com a Renfe. Contudo, ainda antes do trágico acidente, a congénere espanhola da CP já tinha intenção de instalar nesta linha o modelo mais seguro, em detrimento do analógico, revela ainda o mesmo diário.
De resto, a empresa tem vindo a fazê-lo gradualmente em todos os seus comboios e já anunciou que a partir de Janeiro todas as composições em Espanha deverão possuir o ASFA digital.

Na origem do acidente, para além de falhas técnicas e humanas, estará "um desfasamento de práticas e parâmetros técnicos de segurança entre entidades detentoras da infraestrutura e operadores de transporte", considera o investigador da Universidade do Algarve, Manuel Tão, citado pelo JN.

10 outubro, 2016

Comboio em chamas no Marco de Canaveses

Um comboio da Linha do Douro que fazia a ligação Régua-Caíde incendiou-se, esta madrugada, e chegou em chamas à estação do Juncal, no Marco de Canaveses. As causas do acidente estão ainda a ser apuradas. Não há feridos a registar.


Foto: Jornal A Verdade

Eram cerca das 6.00 horas quando foi dado o alerta de incêndio no comboio que partiu da Régua às 5.11 horas. Pouco depois, os Bombeiros de Marco de Canaveses chegavam ao local, relata o jornal A Verdade.

O incêndio teve origem na zona mecânica da última carruagem e não há feridos a registar. Apesar de uma vidraça se ter partido com o calor, os bombeiros conseguiram evitar que o fogo alastrasse até ao interior da carruagem.
Os 50 passageiros que faziam esta viagem foram encaminhados para Caíde, mas certamente não terão "ganho para o susto".
Segundo indicou ao Porto Canal o Comandante dos Bombeiros, Sérgio Silva, o sobreaquecimento do veículo pode ter sido a causa.
O acidente obrigou à interrupção da via e a circulação na Linha do Douro só foi retomada duas horas depois.
Esta manhã, permanecia no local a composição afetada e o trabalho dos bombeiros estava ainda a decorrer. A equipa teve que retirar o combustível do comboio para depois remover todo o material em segurança.

No local, para além dos bombeiros, esteve ainda a GNR e responsáveis da Comboios de Portugal (CP).

O comboio acidentado é um dos 22 veículos que a CP alugou à RENFE por ainda não ter feito a eletrificação da Linha do Douro, revela ainda o JN.
Em 2010 a CP pagava à congénere espanhola cinco milhões de euro por ano pelo aluguer de 17 composições.
Entretanto, foram alugados mais cinco comboios, o que se mantém até hoje.