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31 agosto, 2016

Resolução do Conselho de Ministros desclassifica Linha do Tua

Automotora da série 9500, da frota que circulou entre Mirandela e Carvalhais.

Foi publicada no Diário da República a resolução do Conselho de Ministros (CM) que permite avançar com este processo, iniciado em 2010. Este é um passo necessário para que o projecto já em curso do empresário Mário Ferreira possa também prosseguir. Lê-se no preâmbulo à resolução do CM que apesar de o pedido de desclassificação já ter sido feito em 2010 à REFER, só agora estão reunidas as condições para desclassificar a Linha do Tua.

O projeto de Mobilidade, segundo o Governo, “passa pela exploração por razões históricas ou de interesse turístico da estrutura ferroviária, no troço entre a Estação Ferroviária de Brunheda e a Estação Ferroviária de Mirandela, em estreita cooperação com as autarquias locais”. 

De acordo com a resolução estão compreendidos na linha agora desclassificada os troços entre a Estação Ferroviária do Tua e a base da Barragem (entre o quilómetro zero e o quilómetro 1,860) e o troço entre Brunheda e a Estação Ferroviária de Mirandela - Carvalhais (entre o quilómetro 21,189 e o quilómetro 58,140). O troço entre a estação base do Tua e o apeadeiro da Brunheda, já está inundado e Mário Ferreira vai explorar um circuito fluvial para os turistas.

Este Governo encerra o processo iniciado pelo anterior executivo, concluindo a desclassificação da Linha do Tua. E na resolução do CM publicada em Diário da República explica que o futuro daquela linha ferroviária passa pelo turismo (apenas?). Para trás ficou um longa história de sucessivo desinvestimento, de remoção de material circulante, de encerramento de troços, de negligência e degradação de equipamentos. A lição da asfixia prolongada desta linha serve para estarmos ainda mais atentos aos problemas da Linha do Douro.

29 agosto, 2016

Menos 29 mil passageiros na Linha do Douro até final de Setembro

 
Passados anos de dificuldades de convívio, os operadores turísticos do Douro acabaram mesmo por prescindir do serviço da CP. Já em 2012 o empresário Mário Ferreira da Douro Azul se queixava da transportadora ferroviária. É revelador que passados estes anos o empresário tenha optado por comprar uma concessão em que irá explorar o seu próprio serviço ferroviário turístico quando há 4 anos tinha acabado com os cruzeiros diários, retirando de uma assentada milhares de passageiros à CP e queixando-se da incapacidade da CP de dar resposta aos picos de procura e afirmando que a imagem que a transportadora dava aos clientes era péssima.

Desta feita, é Matilde Costa, da Barcadouro que faz contas e afirma que os irá recorrer a 600 autocarros para o transporte de passageiros até o final de Setembro, o que corresponde a cerca de 29 mil passageiros que a CP irá perder.

A CP fez as suas próprias apostas no turismo do Douro e os empresários do sector e a empresa pública nunca conseguiram um entendimento que se traduzisse no melhoramento do serviço ferroviário. Em 2004, a transportadora ferroviária portuguesa investiu um milhão de euros para criar com algumas carruagens Schindler o Comboio do Vinho do Porto. Passados três anos, a composição foi encostada e encontra-se neste momento a degradar-se em Contimul, juntamente com outras composições, no que parece um cemitério ferroviário. Segundo o Público, o econoista Diogo Castro em 2014 afirmou que esta composição poderia ser recuperada com fundos comunitários, algo que a CP nunca fez.

26 agosto, 2016

Linha do Tua concessionada a privado por 50 anos



Resistiram os 12km do troço Mirandela-Cachão, dos 134km da Linha do Tua. Entre as duas localidades ainda fazem serviço de passageiros 4 comboios da CP por dia, em cada sentido. Agora, mais 17km serão explorados como percurso turístico, com Comboio a Carvão num projecto privado. A longa história iniciada em 1992, com o encerramento do troço entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros, que viria a culminar com o encerramento quase total da Linha, tem agora um desfecho que a EDP negociou com o Empresário Mário Ferreira.

A empresa de Eletricidade está implicada, visto que a construção da Barragem do Tua, na foz do rio Tua (a cerca de 1100 metros da sua confluência com o Rio Douro), trouxe o projecto de uma albufeira que inundaria 16km da Linha do Tua. Em 2011, o Ministério de Economia apresentou o "Plano Estratégico dos Transportes: Mobilidade Sustentável, Horizonte 2011-2015", que propôs a suspensão da reativação da Linha do Tua ( Corgo, Tâmega e Figueira da Foz).

Esta solução que agora surge converte definitivamente o que já foi uma linha ferroviária de passageiros de uma região com 134km num projecto turístico privado que irá durar meio século e que funciona em apenas 17km, e que não serve as populações numa lógica de mobilidade integrada.

Os empresários têm toda a legitimidade para procurar estes acordos e para explorar as suas concessões. O que é difícil de compreender são décadas de decisões políticas que levam à remoção das redes ferroviárias existentes, que prejudicam a mobilidade das populações e que no final separam o transporte de passageiros do transporte de turistas, como se uns e outros tivessem de ser diferentes. É difícil aceitar que este desfecho seja resultado de um acumular de outra coisa que não sejam más decisões. Vamos continuar a defender mais e melhor transporte ferroviário.

24 agosto, 2016

Serviço da CP na Linha do Douro criticado em plena época turística

Foto de uma automotora 0609 na Estação do Pocinho em 2002. Passados 14 anos, continuam a circular automotoras, porque não houve electrificação e as composições são as mesmas.



Nos últimos dias, a CP tem enfrentado duras críticas dos que deveriam ser seus aliados naturais no aumento de tráfego de passageiros. Os operadores turísticos do Douro que têm trajectos de comboio como parte da sua oferta estão publicamente a dizer que não podem dar aos clientes o que a CP tem neste momento para oferecer aos passageiros. A Tomaz do Douro publicou o primeiro Comunicado, no dia 19, afirmando que no dia seguinte e até Outubro iria substituir por autocarros o transporte de comboio previsto nos seus programas. Em seguida os três operadores, a própria Tomaz do Douro, a Barcadouro e Rota Ouro emitiram um comunicado comum.

À imprensa, os operadores esclareciam: "Continua a haver ligações suprimidas em cima da hora, sobrelotação das carruagens, faltas de manutenção e avarias recorrentes do material circulante, falhas nos sistemas de ar condicionado, carruagens grafitadas (vidros incluídos) e o recurso reiterado a autocarros que fazem por via terrestre o percurso que milhares de turistas antecipadamente escolheram fazer por ferrovia”.

Agora a Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes (AETUR) juntou-se à pressão exercida sobre a CP. Numa carta enviada à administração da empresa ferroviária e tornada pública, tomam uma posição de desagrado e dizem "que se tem verificado nos últimos anos é um crescente desinvestimento, baixa de qualidade de transporte, desadequação de oferta às necessidades turísticas do vale do Douro, tornando o serviço inadequado e ostracizante".

Afirma a AETUR na carta enviada à CP que visto que a maior parte do turismo regional chega ao Douro a partir do grande Porto, "é indispensável garantir e melhorar as diferentes tipologias de mobilidade aos habitantes e aos turistas, cuja importância na economia regional e nacional é por demais reconhecida".

A CP respondeu em comunicado, reconhecendo as dificuldade em responder ao aumento da procura na linha do Douro "porque a capacidade não é limitada". Indica que o transporte de grupos na Linha do Douro (entre os quais se incluem os clientes dos cruzeiros), no primeiro semestre cresceu 40% em relação ao período homólogo de 2015 e que em Junho esse crescimento foi de 73%, ou mais 8.314 viagens realizadas.

Em Junho, a Comboios XXI andava a dar notícia, no seu Boletim, de comboios suprimidos sem aviso, horários que não se cumpriam, na Linha do Douro. Estas queixas que agora se escutam chegam à comunicação social e às redes sociais com mais eficácia e rapidez, devido à maior capacidade dos intervenientes. Mas lembramos que as queixas dos utentes já nos chegaram há algum tempo e repetem-se. É tempo de a CP procurar mudar a situação.