
O objectivo de qualquer empresa pública é assegurar um serviço de boa qualidade e abrangente em relação à população, regendo-se por esta missão prioritária e também por preceitos básicos comuns a qualquer outro tipo de empresa - prestar um serviço cada vez melhor, conquistar mais utentes e assegurar um bom nível de sustentabilidade nas receitas contra os custos de manutenção, de uma forma que não ponha em risco o objectivo principal de providenciar um serviço digno.
As subidas de preços que irão ocorrer novamente esta semana agem contra todos estes aspectos e demonstram não só a falta de vontade política em reconhecer o valor estratégico que a ferrovia pública tem para a economia do país, para a poupança dos cidadãos, para a coesão territorial, para as metas ambientais e para o desenvolvimento em geral.
Constatamos que os aumentos de preço pouco ou nenhum reflexo irão ter na mitigação da dívida das empresas, dívida essa que ultrapassa largamente os custos operacionais.
Constatamos que os aumentos não são acompanhados de nenhuma melhoria na oferta, tendo mesmo vindo a ser intercalados por reduções de horários, ligações e mesmo pelo fecho de linhas e estações.
Constatamos que num contexto em que encorajada a poupança dos cidadãos e a canalizados os fundos existentes para as situações essenciais o transporte colectivo está a ser roubado do papel que podia ter nestes dois aspectos.
O único resultado só pode ser a continuação da sangria em utentes que tem caracterizado as últimas décadas do transporte em Portugal, em contra-ciclo com outros países europeus.