07 maio, 2012
Modernizar a Ligação Ferroviária Internacional Porto / Vigo
01 fevereiro, 2012
Aumentos de preços só vão piorar o desempenho das empresas – a solução está na conquista de utentes com serviços melhores e mais económicos
Comunicado de Imprensa da Comboios XXI- Associação de Utentes dos Comboios de Portugal
As subidas de preços que irão ocorrer novamente esta semana têm como objectivo declarado melhorar o desempenho económico das empresas ferroviárias em Portugal mas terão rigorosamente o efeito contrário, piorando ainda mais a situação devido às previsíveis quebras de utentes atribuíveis ao elevado custo dos passes e dos bilhetes, que é agravado pela crise económica do país.
A Associação de Utentes dos Comboios de Portugal acredita que na verdade é precisamente porque estamos em crise que deve ser reconhecido o papel estratégico que têm o transporte público em geral e a ferrovia em particular, na capacidade que têm de conservar alguma poupança por parte dos cidadãos sem prejuízo para a sua mobilidade no quotidiano.
Sabemos também que com esta subida de preços é perdida uma oportunidade única de reverter a deterioração destas empresas, que acumulou 40% de perdas de utentes nos últimos 20 anos, em completo contra-ciclo com o resto da Europa, uma vez que a existência de alternativas económicas e convenientes ao automóvel traria muitos novos utilizadores ao transporte colectivo, ajudando também a cumprir metas ambientais para além de económicas.
A subida de preços e o corte na oferta de ligações e linhas tem também um peso negligenciável na eliminação dos verdadeiros problemas destas empresas, que são um historial de má gestão e uma dívida gerada por políticas de desinvestimento que levam a que dos 195 milhões de euros em prejuízos anuais da CP, 160 milhões são relativos a juros, para receitas de 70 milhões.
Ou seja, se a CP aumentasse o número de utentes em 50% com os preços anteriores aos aumentos a empresa cobriria todos os seus custos de manutenção mas o problema do endividamento ficaria exactamente igual.
A única estratégia verosímil passa por uma solução política para o problema da dívida e pela conquista de utentes aproveitando as vantagens inerentes a este meio de transporte, associado a uma política de preços realista e ambiciosa, acompanhada de uma melhoria contínua do serviço prestado.
Para contribuir para atingir este objectivo, a Associação de Utentes dos Comboios de Portugal tem as seguintes propostas a apresentar, no que diz respeito à política comercial da CP:
- Congelamento dos preços e descontos dos passes, colocando-os nos valores de início de 2011 de forma a que se tornem mais atractivos para viajantes quotidianos e os fidelizem
- Criação em toda a rede de um novo bilhete-família a aplicar a pequenos grupos até 5 pessoas e com descontos cumulativos a partir de 20% e até 50% no total
- Aumentar e abranger os actuais descontos multi-viagens (“paga 10 ganha 1”) em todos os serviços, passando o desconto mínimo de 10 para 20% (“paga 5 ganha 1”)
- Campanhas promocionais de ofertas de viagens e passes em passatempos e prémios, de forma a trazer mais pessoas para experimentarem os serviços em vários horários
- Perseguir mais protocolos com escolas, empresas e unidades hoteleiras e agências de viagens de forma a que tenham acesso a passes especiais e pontuais com descontos maiores
- Fazer com que as ajudas de custo relativas a transportes para detentores de cargos públicos seja restringida a transporte público como o ferroviário, tal como sucede com os quadros das empresas de transportes
- Criação de bilhetes “Last-minute” e “Off-peak” para percursos de maiores dimensão, com preços especiais
- Melhorar o serviço prestado com pequenas intervenções baseadas no conforto, como criação de serviços expresso intercalados com serviço regular e introdução de internet wireless e de tomadas eléctricas nas carruagens.
Estamos certos que estas pequenas alterações irão ter no nosso país o mesmo impacto positivo que tiveram em todos os outros casos em que foram aplicadas, acabando com a noção de que são os custos de operação que são um entrave à saúde das empresas e promovendo finalmente uma política responsável de aposta neste meio de transporte seguro, económico, eficiente, ecológico e, finalmente, conveniente.
A direcção da Associação dos Utentes dos Comboios de Portugal – Comboios XXI
Braga, 31 de Janeiro de 2012
30 janeiro, 2012
Como perder utentes através de políticas de preços erradas

O objectivo de qualquer empresa pública é assegurar um serviço de boa qualidade e abrangente em relação à população, regendo-se por esta missão prioritária e também por preceitos básicos comuns a qualquer outro tipo de empresa - prestar um serviço cada vez melhor, conquistar mais utentes e assegurar um bom nível de sustentabilidade nas receitas contra os custos de manutenção, de uma forma que não ponha em risco o objectivo principal de providenciar um serviço digno.
As subidas de preços que irão ocorrer novamente esta semana agem contra todos estes aspectos e demonstram não só a falta de vontade política em reconhecer o valor estratégico que a ferrovia pública tem para a economia do país, para a poupança dos cidadãos, para a coesão territorial, para as metas ambientais e para o desenvolvimento em geral.
Constatamos que os aumentos de preço pouco ou nenhum reflexo irão ter na mitigação da dívida das empresas, dívida essa que ultrapassa largamente os custos operacionais.
Constatamos que os aumentos não são acompanhados de nenhuma melhoria na oferta, tendo mesmo vindo a ser intercalados por reduções de horários, ligações e mesmo pelo fecho de linhas e estações.
Constatamos que num contexto em que encorajada a poupança dos cidadãos e a canalizados os fundos existentes para as situações essenciais o transporte colectivo está a ser roubado do papel que podia ter nestes dois aspectos.
O único resultado só pode ser a continuação da sangria em utentes que tem caracterizado as últimas décadas do transporte em Portugal, em contra-ciclo com outros países europeus.
17 outubro, 2011
Finalmente, o PET
31 agosto, 2011
Sobre o novo Passe Social
Até agora foram confirmadas as seguintes informações:
- É tido em conta o rendimento do agregado, para um valor médio de 545€/pessoa activa, com apresentação de declaração do IRS para o efeito
- As assinaturas normais, incluindo os passes combinados, não são afectadas nem elegíveis para descontos, sendo sujeitas a futuros aumentos
- Este passe só é válido para o Andante e Série L, não para passes combinados ou zonas urbanas fora do âmbito destes bilhetes
Na imprensa:
Governo bonifica transportes a famílias com rendimentos individuais inferiores a 544 euros
Os preços dos transportes a partir de Setembro
Governo deixa de fora 1,4 milhões de famílias que ganham menos de 800€
Governo recusa bónus a utentes que usem passes combinados
28 agosto, 2011
Passe social limitado a um milhão de portugueses
Apenas um milhão de portugueses deverá ter acesso ao novo passe social. Este bilhete especial para os transportes públicos estará limitado aos utentes com rendimentos ligeiramente acima dos 500 euros mensais.
Para adquirir o novo título de transporte a preços reduzidos, o utente terá de apresentar a declaração de rendimentos, no acto da compra nas bilheteiras, que já são poucas e deverão registar uma forte afluência, uma vez que a compra do passe social não poderá ser processada nas máquinas automáticas.
Os preços deverão ser anunciados na segunda-feira, três dias antes da data prevista para a entrada em vigor da tarifa social, de acordo com o «Correio da Manhã».
A partir de agora o passe social é só mesmo para quem mais precisa. É o lema do Governo.
A medida visa reduzir os gastos públicos com as empresas de transporte, com dívidas de perto de 17 mil milhões de euros. As tarifas dos transportes aumentaram em média 15 por cento a 1 de Agosto, depois de terem sido actualizados no início do ano entre 3,5 e 4,5 por cento.
A CXXI contactou a CP relativamente a estas alterações nos passes, e recebemos as seguintes informações:
- A CP teve conhecimento destas alterações através da comunicação social e ainda não tem quaisquer detalhes sobre a sua aplicação
- Não se sabe se as mudanças abrangem as Assinaturas Mensais ou outros formatos de passe
- Não se sabe quais as medidas para reduzir problemas na validação de novos passes
- Contudo estas alterações são para pôr em prática no decorrer desta semana
21 julho, 2011
Aumento dos preços dos transportes públicos

A Comboios XXI, Associação de Utentes dos Comboios de Portugal, manifesta a sua profunda indignação pelo anunciado aumento do preço dos transportes públicos; a medida, afectando sobretudo as pessoas de menores recursos financeiros, revela uma enorme insensibilidade social. O preço dos transportes é já, sem esse brutal aumento, um encargo significativo no orçamento de milhões de pessoas.
Por outro lado, o aumento contribuirá para uma diminuição acentuada da procura, podendo gerar um decréscimo nas receitas das empresas públicas, de tal sorte que a media pode ter um efeito contrário ao do pretexto utilizado (a rentabilidade), mantendo essas empresas no pântano financeiro em que se encontram. Defendemos antes a implementação de uma estratégia que conduza ao aumento dos utilizadores, por via da melhoria dos serviços oferecidos aos utentes.
A Comboios XXI não deixa de lamentar que, uma vez mais, a solução passe pelo sacrifício dos mais pobres, enquanto nada se faz para reduzir a despesa com as centenas de inúteis cargos de chefia, os imorais salários e mordomias dos gestores, e o desperdício de recursos em acções de mera propaganda. O transporte é um direito inalienável dos portugueses, não pode tornar-se um serviço entregue à voragem do mercado; queremos uma gestão rigorosa, competente e transparente das empresas públicas de transportes; queremos o saneamento financeiro dessas empresas, pondo fim à pouca vergonha das últimas décadas, em que sucessivos Governos as usaram para sacudir o lixo do deficit orçamental.
pela Direcção da ComboiosXXI
Braga, 21 de Julho de 2011
30 junho, 2011
Visão Financeira ditou proposta de fecho de linhas, que já está a gerar críticas
O artigo pode ser consultado na íntegra aqui.
14 junho, 2011
"Combustíveis caros mais influentes do que bilhetes baratos"
Um estudo do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Washington, publicado na revista Urban Studies, avaliou os diversos factores que afectam o número de utentes dos transportes colectivos.
Ficam assim reforçadas cientificamente algumas noções básicas sobre factores de influência no número de passageiros:
- Aumento de utentes após melhorias no serviço prestado reflectem-se não só no momento da intervenção como até 4 meses mais tarde, necessitando de se apoiar no "passa-palavra" e divulgação a médio prazo para existir alcance no anúncio de melhorias. Toda e qualquer melhoria conquistou sempre utentes, mesmo em serviços com uma tendência de estagnação ou descendente.
- Aumento do preço dos bilhetes tem reflexo imediato no número de utentes e também 10 meses mais tarde, o que dá aos estudos do impacto de reduções e aumentos em prazo anual. Cada aumento de 1% implica uma redução de 0.4% nos passageiros no imediato e 0.8% nos meses seguintes.
- Aumentos e volatilidade no preço dos combustíveis tem um efeito imediato mas também se prolonga nos meses seguintes ao pico nos preços, sugerindo permanência significativa de utentes após os períodos mais críticos. O aumento dos combustíveis para automóveis é um incentivo mais forte do que descidas de preços nos bilhetes.
05 maio, 2011
"TGV" e Mercadorias: Grave equívoco da linha Sines-Badajoz

A exploração de uma linha Sines-Badajoz em bitola ibérica é um equívoco que nos impede enviar e receber mercadorias de todos os países da Europa além Pirinéus.
Com este investimento será Algeciras a lucrar porque poderá receber e distribuir contentores para Portugal a um preço inferior a Sines e Setúbal por estarem desligados da rede de bitola europeia.
A solução proposta pelo Governo no Poceirão (nova Alfândega entre a bitola ibérica e europeia) é uma tragédia para a Economia Nacional. A resolução deste erro histórico passa por só prolongar a via dupla de bitola europeia de Badajoz até ao Pinhal Novo e de seguida, ligar, em bitola europeia, Poceirão aos portos de Sines e Setúbal.
Fazer clique AQUI para ver apresentação Powerpoint
1. Abrir o link e aguardar alguns segundos.
2. Quando surgir o 1º slide da apresentação colocar em ecrã inteiro. Basta premir botão direito do rato e escolher ecrâ inteiro ou seleccionar, em cima, Procurar e escolher ecrã inteiro. Seguidamente, utilize as setas do teclado para ver os restantes slides.
20 junho, 2010
Qual o transporte do futuro? - JN
00h30m
Não há auto-estradas gratuitas e as concessões Sem Cobrança ao Utilizador - SCUT também já são taxadas. Enquanto isso, o preço da gasolina sobe e a pressão dos ambientalistas sobre os transportes individuais também. Quem opta pelos transportes públicos salta no banco tal é o estado de degradação das estradas nacionais.
E a ferrovia? Será uma saída? Será o comboio o transporte do futuro ou estará a tornar-se num objecto de nostalgia? "Até 1950, muitas linhas ferroviárias perderam a sua vocação, uma que vez que, quando foram criadas, não havia alternativas", diz o professor José Manuel Viegas. E hoje - que alternativas há?
"Basta conhecer as estradas nacionais para concluir que a rodovia portuguesa tem sido alvo de um grande desinvestimento", alerta Rogério Gomes, presidente da Urbe - Núcleos Urbanos de Pesquisa e Intervenção. As boas estradas para circular são pagas e incluem custos adicionais, como a gasolina.
"Quem alguma vez pensou que as auto-estradas seriam gratuitas, comprou uma dose de irrealismo", continua. Segundo o Portal do Governo, "auto-estradas gratuitas não existem. Existem sim auto-estradas pagas pelo utilizador, auto-estradas pagas pelo contribuinte em geral ou auto-estradas pagas por ambos simultaneamente". No caso das SCUT, o utente, utilizando-as, ou não, já as pagou. E continua a pagá-las com os seus impostos.
Talvez os mais de 100 mil condutores afectados pelas futuras portagens das SCUT ponderem soluções mais económicas e, quem sabe, menos poluentes, como o comboio, o mais democrático dos transportes. Mas, qual o estado da ferrovia portuguesa? De que investimento tem sido alvo? Fomos falar com peritos e investigadores: há escolhas a fazer. E será uma saída?
Na era dos cortes financeiros, em (quase) todos os sectores, "é normal que algumas ferrovias sejam inviáveis", constata José Manuel Viegas, docente no Instituto Superior Técnico. Mas o que Rogério Gomes, presidente da Urbe, não consegue entender é "a gestão destrambelhada a que tem sido sujeita a ferrovia nacional".
Para sustentar a acusação, lança o caso da linha da Beira Baixa: "Está a ser modernizada, mas basta o autocarro para assegurar a meia dúzia de curiosos que lá viajam. Já a linha do Oeste é uma desgraça. Mas tem muito potencial".
Na sua perspectiva, a "longo prazo", investir na ferrovia passaria por "articular as linhas à escala metropolitana e fazer a ligação interdistrital". Como concretizar, financeiramente, este plano? "Secar os gastos abusivos; fazer reflexão profunda sobre a exploração comercial das linhas; e articular o comboio com os outros meios de transporte".
Carlos Sá, da Associação Comboios XXI, avança outra sugestão. Por que não "canalizar o dinheiro das novas portagens das SCUT e dos que mais poluem para os que menos poluem? A verba seria aplicada na automatização dos sistemas de comando (muitos deles ainda são manuais, designadamente nas passagens-de-nível) e na renovação da frota".
No futuro, "o caminho-de-ferro será a grande resposta às deslocações de massas, até por razões ambientais", continua. No presente, "há linhas, como a de Braga, Guimarães, Penafiel e Aveiro, que estão a abarrotar e têm uma resposta escassa. Não há verbas para mais composições".
Contudo, a REFER - Rede Ferroviária Nacional garante que "há investimentos em curso". Mas, enquanto o "plano de investimentos está a ser objecto de revisão", pode apenas assegurar que as Linhas do Minho, Norte, Baixa e Alentejo estão a ser alvo de intervenções na actualidade, entre outras estruturas da rede.
Decorrem ainda "projectos transversais", por exemplo, no que diz respeito à segurança de túneis, pontes e passagens-de-nível, informa fonte da REFER. A aposta na modernização tecnológica e no transporte ferroviário de mercadorias também estão a ser focos de investimentos, garante a empresa.
Comboios de serviço social?
Há linhas ferroviárias que pouca gente transportam e que permanecem activas. Linhas com custos superiores à sua rentabilidade. E "é normal", defende o docente José Manuel Viegas. "Com a crise económica que vivemos em Portugal e em toda a Europa, é preciso ponderar: Corta-se numa linha cara e pouco usada ou nas pensões? O que é mais importante para o Estado? Não podemos ter tudo".
O professor e consultor na área dos transportes entende que o realismo de "fechar a loja quando ela deixa de render" pode ferir a "sensibilidade nostálgica" de alguns. "Mas a verdade é que linhas que dão prejuízo já não prestam um serviço socialmente relevante".
Sem alegria na voz, Joaquim Tolido, vice-presidente da ADFER, reconhece que "só por solidariedade se poderiam manter activas muitas linhas no Interior do país. Há territórios onde jamais se justificará".
Veja-se o caso do Alentejo: "Representa um terço do território do país, onde vive cinco por cento da população portuguesa. Aqui, a procura não justifica os custos" - exemplifica.
Um exemplo mais gráfico ainda: "Traçando uma linha de alto a baixo de Portugal, vê-se que no Litoral vive 90% da população; do meio até à fronteira, 10%. Isto faz com que seja muito difícil fazer uma verdadeira rede ferroviária", admite Joaquim Tolido. Ora, se o comboio é o mais rápido e barato dos transportes, "há um problema democrático no país", conclui.
De facto, "um país democrático tem que ter uma plataforma ferroviária nacional que permita a deslocação de todos por valores razoáveis e com algum conforto", afirma, por seu turno, Rogério Gomes.
Mas há quem tenha outras perspectivas. Há sempre a possibilidade da "privatização, como foi feito em Bruxelas", sugere Carlos Sá. Segundo a teoria do "serviço social", as linhas mais rentáveis poderiam garantir o equilíbrio dos serviços, como uma espécie de subsídios para as linhas do Interior". Só por solidariedade.
Tanta velocidade para quê?
"Se há voos para Madrid a 30 euros, para quê pagar 130? É preciso explicar isto". Para Rogério Gomes, quando se fala em Trem de Alta Velocidade (TGV), também é necessário esclarecer como é que "um país sem condições para aventuras assume isto como um projecto prioritário".
Na perspectiva do presidente da Urbe, o TGV "está longe de ser prioritário a nível nacional", até porque "apenas privilegia os pontos de partida e chegada". Logo, "nada faz pelo desenvolvimento regional".
Para potenciar o progresso além do Porto, de Lisboa e de Faro, "serviria melhor uma velocidade mais lenta, com paragem em outras cidades, e uma ligação rápida, mas não alta, entre Porto e Lisboa. A alta velocidade não é absolutamente necessária" - defende, por sua vez, Carlos Sá, da Associação Comboios XXI.
No mesmo sentido opina Joaquim Tolido, da ADFER, para quem "a velocidade não é assim tão relevante em distâncias internas, designadamente entre Porto e Lisboa e Algarve". Na sua opinião, a questão que se coloca é outra: o que está Espanha a fazer com a sua ferrovia? "Temos que estar atentos para, no momento certo, planearmos uma articulação com os espanhóis com vista à ligação europeia". Joaquim Tolido está convicto de que "o grande objectivo passa por criar linhas internacionais e permitir trocas comerciais de relevo dentro da Europa".
Já Carlos Sá baseia-se no exemplo da ligação ferroviária entre Paris e Londres, que é "sempre rentável, mesmo sendo o preço do avião mais barato", para considerar o TGV "necessário e indispensável". Mas questiona a ligação escolhida para Madrid: "A mais longa e a menos rentável. Um frete aos espanhóis".
Afinal, quem terá de mudar a bitola?

